Para promover a alfabetização, o curso envolve os alunos no desafio contemporâneo de libertar-se do conformismo com a realidade atual, da tolerância para com as próprias falhas, da passividade do consumo, levando-os a superarem histórias de fracasso escolar por meio da expressão de habilidades, sentimentos, valores, crenças, metas etc. As competências e necessidades dos alunos são o ponto de partida para o ensino de palavras, sílabas e letras, para o estabelecimento de relações entre sinais gráficos e fonemas, para progressiva apropriação da linguagem escrita. Como parte da superação de dificuldades escolares, o curso também prevê a aplicação paralela de programa de desenvolvimento cognitivo.

Público alvo:
Adultos e jovens com mais de quinze anos que relatam a necessidade de alfabetizarem-se para serem agentes responsáveis, maduros e transformadores nos ambientes escolares, profissionais e sociais.

Método:
Adota-se metodologia eclética elaborada a partir das experiências de Paulo Freire, Fernando Capovilla, Alessandra Seabra e Reuven Feuerstein. A experiência de Paulo Freire resultou em alfabetização rápida e eficaz de adultos, pois sua proposta de critica social e mobilização politica provocou envolvimento motivacional dos adultos, além de supri-los em suas deficiências nos conteúdos escolares de cidadania. Em acréscimo à decomposição e recomposição silábica de palavras geradoras usados por Freire, as pesquisas experimentais de Fernando Capovilla demostram a maior eficiência do método fônico em produzir escrita precisa e leitura fluente, com adequada compreensão do texto, ao mesmo tempo em que qualificam seu material de apoio desenvolvido por Alessandra Seabra. Finalmente, por se tratar da alfabetização de um publico de jovens e adultos urbanos com provável histórico de fracasso escolar, considera-se que a alfabetização possa depender da superação de deficiências cognitivas, por meio da aplicação de dois Instrumentos (Orientação Espacial I e Instruções) do Programa de Enriquecimento Instrumental (PEI) de Feuerstein, bem como de suas técnicas de Mediação da Aprendizagem. Aliás, a Mediação da Aprendizagem de Feuerstein se aproxima da ação docente nos Círculos de Cultura criados por Freire, ao respeitar o conhecimento e a cultura dos alunos, ainda que seja mais formal e menos engajada politicamente; mesmo porque, pretende-se identificar que tipo de engajamento seria motivador para adultos urbanos de hoje, quase cinquenta anos após o sucesso de Freire no sertão pernambucano.

Conteúdos:
- Alfabetização: Letras do alfabeto, maiúsculas e minúsculas, seus nomes, traçados e fonemas associados; silabas.
- Vocabulário: Significado, ortografia, usos e pronúncias.
- Números cardinais: Algarismos, sistema posicional decimal, leitura de números (dos bilhões aos milésimos), leitura de valores financeiros (dos bilhões aos centavos).
- PEI: Sistema de referência relativo (frente, atrás, direita e esquerda), seus usos e importância; instruções e procedimentos (criação e cumprimento), seus usos e importância.
- Cidadania: Atualidades, Declaração Universal dos Direitos Humanos, democracia, Código de Defesa do Consumidor, conselhos municipais, aforismos, frases, ditados e versículos bíblicos.
- Cultura: Leitura e escrita de historias, canções, versos, jogos de palavras; jogos com palavras, leitura e criação de memes; leitura e descrição por escrito de receitas culinárias e outras habilidades produtiva.